28.12.08


As luzes cintilaram ofuscantes no horizonte.
A noite se rasgou em chamas
O corpo massageado abandonou dores
E a escuridão interior cessou quando novamente se fez dia.
A borboleta preta vestiu-se de branco e se camuflou com a luz
Bateu asas sem se despedir...

24.12.08

Feliz Ano Novo!









Tudo que é mais sagrado em vida!

Não há nada melhor do que ter um amigo
que se possa confiar de verdade.
Com tantas riquezas materiais,
O outro ser sempre se esquece das essências e das coisas não plausíveis;
Já o ser vigilante me zelou a vida,
Não há mais nada de maior preciosidade em nossa existência.
Deu-me alimento diário,
Cativou-me em dosagens homeopáticas
Tomou-me pelas extremidades e atingiu meu núcleo.
A boa companhia, a boa conversa, as estórias em preto em branco,
Os retratos intermináveis, o entusiasmo nas narrações fantásticas,
As lembranças de infância, e o fabuloso
“ Viver a Vera Vida Azul e simples”.
Inúmeras vidas de gato que não se resumem nem em mil páginas.
E a tal sincronicidade, de Jung!
Vostra "coincidência significativa”
Tempo, espaço e vivencia!
Já dizia o senhor “guru da contracultura” em
“conselhos a mim mesmo”
Tudo que na verdade já soubeste, ou já sabíamos.
– Maciel querido...

Em menos de dois séculos depois
Entrou em cena –
“ O acaso, a centelha, o momento, o amor, a ponte, a paz.”
Em águas profundas, David Lynch se expressou bem em
“O CAMPO UNIFICADO” que nos transportou para
O cheiro de absinto, a criatividade e a meditação transcendental.

Sua aura irradiante tomou contornos mais fortes
Irradiou a todos com seus “presentes” – sua “simples” presença.
Vicio bom, ele existe sim, existe um.
Ter um amigo assim, não é pra qualquer um.
Antes dele existiam dois mundos – o divino e o humano
Depois dele passou a existir só um.

A confraria do telhado e os cactos no jardim.
O jardim do paraíso, da clara percepção interior.
A noite de verão e as flores dos cactos brotaram lindas e radiantes
Como nunca antes havia visto.
O perfume das plantas exalou forte.
Sem palavras.

Cat Stevens nos visitou algumas vezes em “ moonshadow... moonshadow...”
E agora Morning has broken –
“Morning has broken, like the first morning
Blackbird has spoken, like the first bird
Praise for the singing, praise for the morning
Praise for the springing fresh from the world”

E o mundo se rompeu outra vez hoje.
As transformações, as estações, os novos ciclos,
As cortinas vermelhas se abrem novamente.
Sempre de maneira única e exclusiva.
Mesmo que as vezes o disco risque, ou quebre...
O importante é continuar! “vamo que vamo”!

Feliz Ano Novo todos os dias querido!

Que as primaveras na janela nunca morram
E que possamos experimentar novos ouros
E contemplar muitos outros fantásticos pores-do-sol!
Tempos de renovar, tempos de inovar!
Tempos de Clara
Tempos de Joske.

.solidão.





A vida solitária constrói túmulos de segredos.
Enterram-se os medos, angustias e amarguras.
*

Vale à pena sucumbir os pensamentos
no momento exato podemos exteriorizar
em artifícios visuais.
*

A inquietude faz discorrer sobre idéias aclaradas
subitamente extraídas do interior.
*

A dor vem da intensidade da vida
e a vida vem com as inúmeraveis margens de erros.
*

Arriscar vale
bater a cabeça vale mais ainda.
*

Silenciar-se em meio à frieza natural do ser
É um bem que futuramente a memória do individuo agradece.

O MOVIMENTO





Acontece nas ruas,
Com os lixeiros,
Com os pedreiros,
Com as vendedoras ambulantes de banana
Acontece nas escolas
Com os professores
Com os estagiários
Acontece nas fotografias
Nos registros eternos
Acontece nos prédios
Nas portarias e nas seguranças
Acontece nos postos
Com os frentistas
Acontece nas estradas
Com caminhoneiros
Acontece nas passarelas
Com os estilistas
Com as modelos
Acontece no palco
Com os atores
Acontece no cinema
Com os roteiristas
Acontece na dança
Com o ballet de londrina
Acontece sim esta acontecendo!
As coisas se movem ate mesmo as latas.
O movimento.
O ciclo.
Acontece nos templos,
Nos santuários, nos terreiros,
acontece no céu e na terra
Acontece na rosa cruz,
no espiritismo,
acontece na cosmologia,
acontece no druidismo,
acontece nos cantos dos plantadores de arroz
acontece na mecânica celeste,
acontece na natureza fluída da vida.
Acontece no vaso,
acontece no corpo,
acontece na ponte, acontece em mim,
O movimento sou eu, o movimento se refrata,
Acontece em você, acontece e desencadeia um processo de contagio como um vírus.
O vírus do bem.
Ele é capaz de mobilizar mares
Mares urbanos, mares suburbanos,
Mares da elite
Mares da sociedade,
Mares dos credos individualistas
Mares dos alquimistas,
Mares dos cientistas,
Mares dos frenéticos campos celestes
Mares Copérnico, mares ...

.extinção.


A espécie humana está em extinção.
Animais racionais e irracionais .

Senhora Auto-Destruição


DIÁLOGOS IMPERTINENTES - EGO-SUPEREGO.

ELA VINHA ALIMENTANDO SEMPRE,
NA ESPERANÇA DE RESGATAR UM DIA AQUILO QUE SE PERDEU COM TEMPO...
VIVEU ANSIANDO,QUERENDO, SONHANDO, DEMONSTRANDO E CAMUFLANDO TODO SEU SENTIMENTO PURO DE AMOR.

ELA O REPRIMIU NO MOMENTO EM QUE PERCEBEU QUE O MESMO JÁ NÃO ERA CORRESPONDIDO DA MESMA FORMA, NA MESMA INTENSIDADE, MAS TODA A ÂNSIA VOLTAVA E DESTEMIDO SE RASGOU INÚMERAS VEZES.

O PROBLEMA ERA QUE NO FINAL DAS CONTAS ACABAVA SEMPRE SE MACHUCANDO.
E POR HORAS SE RESGUARDAVA PARA NÃO SE HUMILHAR TANTO QUANTO O FAZIA, SABIA QUE MESMO AS DEMONSTRA COES MINIMALISTAS DE AFETO QUE BROTAVAM DELA, ERAM SINÔNIMO FRAQUEZAS, DE BAIXAR A GUARDA E HASTEAR BANDEIRAS COLORIDAS...
ISSO EM SUA NATUREZA DURA SERIA ALGO NO MÍNIMO INTOLERÁVEL,
POIS DIRETAMENTE ANIQUILARIA SEU ORGULHO.

ELA ABRIA SUA CAIXINHA DE MUSICA E DEIXAVA A MELODIA TRISTE ECOAR PELAS BORDAS E ISSO VIROU CONSTÂNCIA, AS NOTAS TERIAM INTERVALOS E DESRITMIAS...
CANSOU-SE DESTAS REPETICOES, QUIS COSTURAR OS OUVIDOS E QUEBRAR A CAIXINHA.

OS SINGULARES 5 MINUTOS DE TODOS OS DIAS, ENIGMATICAMENTE TRANSFORMARAM-SE EM PESADELOS E COMODIDADES, OS ABRAÇOS APERTADOS QUASE QUE OBRIGACOES SUFOCANTES, TODA ESPONTÂNEA BELEZA DAS MAIS INTIMAS FALAS TORNOU-SE PREVISÃO E REPETIÇÃO.

TRISTE, POREM VERDADE, A QUE SEMPRE PREZAMOS, E QUE CRUAMENTE ESTÁ ESCANCARADO AGORA.
CADA MOMENTO SEGUINTE ERA TRAÇADO POR GRADAÇÕES DE CORES MÓRBIDAS E ISSO COEXISTIU AO LONGO DOS SEGUNDOS ABAFADOS PELA FUMAÇA.

VIGOROSAMENTE PERDEU – SE O JUÍZO, O BOM SENSO, O BOM HUMOR.
OBSCURAMENTE FECHOU-SE PARA DENTRO DE SI MESMA.
UM PÂNTANO CHEIO DE TRALHAS, TRAÇAS E MIGALHAS DE VIDRO.
NAS VENTANIAS NOTURNAS, EU PUDE CAPTAR CADA OLHAR VAZIO E TRISTE, UM AR MELANCÓLICO EM CADA GESTO CORPORAL.

ESTAVA PRESENTE DE CORPO ENQUANTO O ESPÍRITO ESTAVA NA VIGÉSIMA DIMENSÃO.
O TREMOR VEIO JUNTO COM A FALTA DE NICOTINA DEPOIS DO ÚLTIMO CIGARRO DO MAÇO.

ELA ANSIOU DEMAIS POR MIM, TENTOU ENCONTRAR RESPOSTAS E CADA VEZ QUE NÃO AS ENCONTROU SE ANGUSTIOU AINDA MAIS E MAIS ENCONTRANDO APENAS O SILÊNCIO, E TODA A SUBJETIVIDADE DO MESMO.

UM ENORME DESPERDÍCIO DE VIDA...DE SÚBITO A ESTRANHEZA DE SI MESMA.
AO LONGO DO TEMPO ELA SE PERDEU POR INTEIRA, PERDEU O RESPEITO, PERDEU OS VALORES, PERDEU O AMOR PRÓPRIO, PERDEU A PRÓPRIA VIDA, RENDEU-SE AO CANSAÇO, ENTREGANDO-SE CEGAMENTE AS DORES.

ESTAVA DESAMPARADA E IMPOTENTE DIANTE A VIDA, COMO SE SUA EXISTÊNCIA FOSSE O MAIOR FARDO DO UNIVERSO E DA HUMANIDADE. VIDA QUE SE RESUME EM ATITUDES CONTRÁRIAS À SUA ANTIGA ESSÊNCIA E NATUREZA.

NESSE MEIO TEMPO RASGOU-SE, DERRAMOU SUAS PUREZAS E IMPUREZAS MISTURANDO AS TINTAS EM FORMAS DE CARTAS SEMPRE COM O MESMO DESTINATÁRIO.

O QUE AS DIFERENCIAVAM ERAM AS FREQUÊNCIAS DE TEMPO DAS CORRESPONDÊNCIAS E AS METÁFORAS EXISTENTES NA PRÓPRIA FORMA E ANATOMIA DO SEU EMBRULHO...
ORA EM GARRAFAS EMBRIAGADAS DE TINTO,
ORA EM CAIXAS PRETAS E SUAS ANALOGIAS À MORTE COMO CAIXÕES EM MINIATURA, ERAM ELAS NEGRAS E VIÚVAS COMO AS NOIVAS...
CHEGAM AINDA BRILHANTES E DOURADAS COM CONTEÚDOS ESTARRECEDORES,
ANTES PALAVRAS TÃO VERDADEIRAS MESMO ENTRE TANTOS ENIGMAS... TODAS ESSAS SIMBOLOGIAS SEMPRE VINHAM DEFUMADAS DE PERFUMES ENTORPECEDORES,
OUTRORA CHEGAVAM REGADAS DE SANGUE E VÔMITO
PESADAS E PENETRANTES QUASE QUE UM NÁUFRAGO ANCORADO DE DESILUSÕES...
OUTRORA DESENHADAS E BORRADAS ESCRITAS DE LÁGRIMAS SONÂMBULAS...
DEPOIS DE TUDO ISSO, MUITO POUCO RETORNO, UMA MENÇÃO ESPORÁDICA, MAS APENAS UMA ÚNICA RESPOSTA: O PAPEL RECICLADO E O ADEUS, O QUE NEM AO MENOS SE PODE GUARDAR, POIS O REMETENTE NÃO SE IMPORTOU NEM SEQUER EM CHAMAR O POMBO CORREIO.
FOI ESSE QUASE QUE UM DESCARTAR TOTAL DE TODAS AS POSSIBILIDADES AINDA QUE SECRETAMENTE GUARDADAS... EXISTIAM.
DEPOIS DESTE SOPRO AS INTERROGAÇÕES POR AMBAS AS PARTES FORAM MESMO SUBSTITUÍDAS NA NECESSIDADE QUASE QUE INSUSTENTÁVEL DE MANTER A PROXIMIDADE E O CONVÍVIO...
O QUE ALIMENTOU AINDA MAIS AS EXPECTATIVAS, E POR FIM A MINHA CLAMANTE TRANSPARÊNCIA TRAÇAVA AS VERDADES MAIS NUAS, MAIS CRUAS O QUE ESTREMECIA E DESMORONAVA SEM QUERER COMO VENTANIAS QUE BATEM AS PORTAS E JANELAS, E LEVAM TETOS E PAREDES...
REBELOU-SE COM TODAS AS VERDADES. E NUM ÍMPETO DE SUCUMBIR TODA A FÚRIA QUE ESTREMECIA SEU INTERIOR, ENTREGOU-SE...
MOSTROU-SE LITERALMENTE UMA PESSOA SENSÍVEL AO EXTREMO COMO NUNCA ANTES HAVIA SIDO LA LLORONA DEL SANGRE,
INSEGURA AO EXTREMO, ENCONTROU EM ATITUDES IMPESADAS A NOVA: A LOUCA DEVASSA!

TENTANDO AFOGAR TODAS AS DORES NAS SAÍDAS NOTURNAS,
NAS BEBIDAS, E NESTA MISTUREIRA INSANA,
PARECEU QUERER ASSINAR SUA SENTENÇA DE MORTE...

NO SEU MAIS ÍNTIMO SABIA QUE NÃO ENCONTRARIA EM OUTRAS BOCAS E EM OUTROS TOQUES TUDO AQUILO QUE TINHA PERDIDO,
MAS MESMO NESTA CERTEZA, O INSTINTO E A SELVAGERIA GRITOU EM PÚBLICO E ESCANDALIZOU. ERA A FORMA DELA DE ABSTRAIR TODA A PERDA.

INÚMERAS VEZES INCONSCIENTEMENTE E COMO FORMA DE DEFESA TENTOU ATACAR PARA VER SE ATINGIA, E TANTAS VEZES SE FRUSTROU NÃO ALCANÇANDO SEU OBJETIVO MALÉFICO, INFATILMENTE FERIR PARA SE SENTIR MELHOR. E SE IRRITOU AINDA MAIS VENDO QUE A TEMPESTADE ERA SOMENTE EM SEU COPO D’AGUA.

A SERENIDADE NÃO É PARA TODOS DENTRO DE CIRCUNSTÂNCIAS TAIS.
E A FORMA QUE CONSEGUI LIDAR COM ISSO FUGIA DE QUALQUER COMPREENSÃO DELA, FUGIA DE QUALQUER CONQUISTA JÁ ALCANÇADA, ERA PRATICAMENTE QUE INDECIFRÁVEL AO SEU ENTENDIMENTO.

EM FRAGMENTOS DE SEGUNDOS OS CIGARROS SE ASCENDERAM E ASCENDERAM OUTRAS VEZES, QUASE QUE ROBOTICAMENTE PROGRAMADO, UM STOP MOTION. O CINZEIRO TRANSBORDAVA, E TODA CASA ESTAVA EMPESTEADA COM O CHEIRO.

ELA FICOU NUA, HIPNOTIZADA PELO MONSTRO DESCONHECIDO DO SEU REFLEXO INTERIOR.
DEPOIS DE TANTAS NOITES MAL DORMIDAS, DEPOIS DOS AGRAVANTES E RETARDADOS RETROCESSOS SUA DIGNIDADE SE FOI JUNTO COM TODAS AS SUAS CRENÇAS.

DESCONFORTÁVEL CONSIGO MESMA, VIU-SE SEM PERSPECTIVA ALGUMA, QUEM DIRÁ OBJETIVOS DE VIDA. . .
O CONSUMO DE ENTORPECENTES EM NÍVEIS E EM DOSAGEM CRESCE JUNTO COM A FREQUÊNCIA E TODO O SEU FODA-SE PARA TODAS AS COISAS QUE A CERCAM...

A SITUAÇÃO É LASTIMÁVEL E DEPRIMENTE. ELA ESTÁ NO FUNDO DO FUNDO DE SUA COVA, A PRÓPRIA CRIADA E CAVADA INTENCIONALMENTE E SEM MAIORES PREOCUPAÇÕES.
DESACUENDADA DAS COISAS QUE A CERCAM, VIVE SEUS DIAS INCONSTANTEMENTE, ÀS AVESSAS ELA BUSCA EM FONTES ESTRANHAS ONDE FOI QUE PERDEU O FIO DA MEADA.

DESGOSTOSA COM TUDO LIDA DE FORMA EXTREMISTA COM AS PESSOAS E COISAS...
EXACERBADAMENTE INCONSEQÜENTE COM PALAVRAS,
GESTOS E ATITUDES MEDÍOCRES.

ELA ESTÁ ENTERRADA. ELA SE ENTERRA A CADA DIA MAIS. E AINDA TÊM CAPACIDADE DE SE CAMUFLAR AOS MAIS PRÓXIMOS, QUE ENXERGAM APENAS SUA CARAPUÇA APARENTEMENTE CONSISTENTE, PORÉM OCA. O QUE DIFICULTA UMA MÃO AMIGA AO SEU RESGATE.

DEFRONTOU-SE COM O IMPOSSÍVEL DE SI MESMA, E NÃO CULPA NINGUÉM, DIZ NÃO ME CULPAR DA BOCA PRA FORA, MAS INTERIORMENTE APONTA O DEDO INFINITAMENTE PARA O PRIMEIRO E MALDITO ABRAÇO, A PRIMEIRA TAÇA DO EMBRIAGADOR SABOR DO BOM VINHO, E APONTA AINDA PARA A CUMPLICIDADE NO ELEVADOR, OS OLHARES INDECIFRÁVEIS SUSPENSOS COM A SINCRONIA DAS FALAS: FODA, O MALDITO “FODA”, É FODA!

SENTE PENA DE SI MESMA COMO UM CÃO SEM DONO, SEM CARINHO, SEM AFETO, SEM ATENÇÃO DA SUA FORMA DEVIDA.
OS DIÁLOGOS DE SURDOS AFLIGEM-NA, POSTERIORMENTE VÊM AS PALAVRAS ÁSPERAS E MALÉFICAS, A IMPACIÊNCIA, ATITUDES DÍSPARES E FEROZES MOVIDAS DE RAIVA DE INSATISFAÇÕES, DESCONTÍNUAS E INTENSAS...

ELA SECA, ELA PROFUNDA INCOMODA–SE E INCOMODA OS DEMAIS SEM PERCEBER...
OFEGA ENQUANTO FALA, ENQUANTO PENSA, ENQUANTO MUDA, ENQUANTO DORME, ENQUANTO TOCHA, ENQUANTO FALA, ENQUANTO GESTICULA, ENQUANTO PENSA, ENQUANTO TRAGA, ENQUANTO TOCHA, ENQUANTO FALA, ENQUANTO GESTICULA, ENQUANTO AINDA EXISTE.

RECONHECENDO TUDO ISSO, LITERALMENTE JOGOU AS COISAS PRA BEM ALTO COMO QUEM SE ENTREGA AO LÉU, JÁ ESTA TRANCADA NA SUA PRÓPRIA CRUELDADE...
ESTÁ EM CRISE EMOCIONAL, EM CRISE EXISTENCIAL, E NÃO HÁ NINGUÉM NO MUNDO QUE POSSA AJUDÁ-LA SE NÃO DEUS.

QUE MARTÍRIO BESTA, SABOTADORA DE SI MESMA, PRECIPITA COISAS, ATRASA OUTRAS, SUA INCONSTÂNCIA CÁLIDA SE DIFUNDE NO ESTILO REGRESSIVO DE VIVER.

FAZ MAL USO DO BENDITO TEMPO PARA INSISTIR EM COISAS DESCABIDAS. A PONTO DE SACRIFICAR-SE POR ALGO PARA PURO E SIMPLESMENTE AGRADAR A PESSOA QUE AINDA AMA, E SE ODEIA POR AMAR TANTO ASSIM.
OS DIÁLOGOS INTERIORES TENDEM A ESTAR CADA VEZ MAIS COMPLEXOS, E ENFRENTAR SEUS MEDOS NO ESPELHO DEVE SER REALMENTE O MAIOR DESAFIO AGORA...
ESSA IMAGEM ASSUSTADIÇA DEVE SER ALGO ENSURDECEDOR.

“ EU QUERIA PODER “ CURA-LA” DE SI PRÓPRIA. MAS SUA – “ DOENÇA” ?
É MAIS FORTE QUE MEU PODER, SUA DOENÇA É A FORMA DE SUA VIDA.” ELA DEGRADA TURBULENTA MENTE.

DESPEDIDA





Artifícios de um passado distante.
Fragmento de “ Ciclos Viciosos”

Penetrastes até as fontes marinhas,
Circulaste no fundo do Abismo?
As portas da morte foram-te mostradas,
Viste os guardiães do país da Sombra?
(Jô, 38, 8-7)

A imagem da tempestade está no cerne de sua demonstração.

Como quem vem em um período de tempo,
e que com pouco consegue cativar, seduzir, e conquistar até que seja arrebatada a vítima, a mente perigosa articula todos os pequenos e grandes passos na trajetória de vida.
Você de perto foi uma das maiores guardiãs dos meus tesouros,
até mesmo um dos meus tesouros ocultos.
E um dos seus significados é a minha vida, meu interior sagrado,
me precavi, e mostrei-me para poucos.
No ápice do meu equívoco, fiquei cega, e me envolvi demais, me doei demais e sem medir, toda minha existência se confundiu com a sua, meus valores e os seus, todos eles difusos, misturados, e violentados.
Guardei a sete chaves pra mim mesmas.
Em combate e em estratégia de jogo, o caçador só consegue matar-me em sonho.
Você talvez seja o símbolo da paixão sem medida, que desafia que maquina, que paga por amor, que paga pra ver, até a morte.
Sinto escorrer pela sua boca o gosto amargo pelo aniquilamento,
que vem acompanhado por uma paixão violentamente exclusiva.
Vejo em você alguém que espreita a caça, o habitat e espreita todos os movimentos, para matar-me mais facilmente no instante em que eu me imobilizo.
Seus olhos seus cansaço, é essa sua angustia pelo nada.
A cada instante que percebe vulnerabilidade,
conscientemente me envenena pelas bordas.
Nesse tempo todo exprimiu à paciência, a perseverança, a prudência, e provou para si mesma que entre o abismo e as alturas a sua engenhosidade atingiu seu ponto máximo. Por instinto e sobrevivência aprendeu que usar mais a razão e o raciocínio desertaria ainda mais seu aspecto exterior.
Voltando a falsa crença que ter uma armadura te faria mais forte.
Descartando a velha essência e plenitude de uma alma tranqüila e transparente. Esquecendo-se de que a maior armadura é aquela que se constrói aos poucos e se mantém intacta ao longo do tempo.
Aquela que não vemos, mas sentimos.
Aquela que eu olho e não sinto mais.
E quando se sentiu ameaçada,
refugiou-se para as profundezas do seu ser,
deparando-se com sua natureza fria, silenciosa, e imóvel.
E tentando encontrar os sentidos no obscuro, encontrou a si mesma.
Encontrou-se melancólica, numa tonalidade monocromática,
sem brilho, uma vida desertificada, vazia.
Como você mesmo diz, e que sabemos, é que cada um tem um tempo.
E esse ciclo, com seu movimento giratório, descrevem todo o ciclo da vida.
O centro do círculo é então considerado como aspecto imóvel do ser,
o eixo que torna possível o movimento dos seres, embora oponha-se a este como a eternidade se opõe ao tempo.
E pra tentar exorcizar essa angústia de me ter e não me ter por perto,
você recorreu a decepar um membro vital.
E espera que com todas as forças que te restam, deter essa viciosidade.
E encerra o ciclo, para dar inicio a um ciclo novo.
Chegou a hora do zero para a semente enterrada no solo,
há agora uma longínqua colheita, da qual não farei parte.
Siga em frente querida.
Há novos campos, novas terras pra conquistar, há novos ares, há novas vidas a cativar. A concentração do inverno em sua severa grandeza; é a terra invernal que fomenta seu desenvolvimento, cuja as profundezas se elabora lenta e penosa tarefa da vegetação. Neste ponto culminante, é em um novo ponto de partida que se agarra, onde há uma noção de chegada, de destinação, e de objetivo, será dureza essa renúncia, tanto para mim, quanto pra você.

“A duras penas”, encerramos aqui as possibilidades inversas, e imensas, evolutivas e involutivas, para nós.
Somente nestas perpétuas tensões entre as inclinações opostas,
conseguiremos encontrar um difícil equilíbrio para o cotidiano separado, numa realidade totalmente fragmentada.
Te desejo muito amor, e acima de tudo persistência com suas novas metas, e objetivos. Feliz por ter participado de sua trajetória, mais feliz ainda por você ter me apresentado a vida de uma maneira totalmente única, e especial, vostra persona foi um marco na minha história.
Fecho agora o livro, com todas essas páginas bonitas e ensangüentadas, deixo dentro do criado mudo perto da cabeceira de minha cama, perto, sempre perto, pra quando sentir que existe um vazio e que isso me incomoda, a fonte me fará recordar que nem tudo na vida é efêmero e sem significados maiores.

O grito de Julia.








O pequeno redemoinho de arame farpado
Ele esta só em meio ao mar de areia.
Ele esta perdido.
O vento se encarrega de carregá-lo pra todos os lados.

De onde ele vem:!? De que origem, de que espécie, de que raiz?
Vem esse arame com suas farpas enferrujadas
Rola como um redemoinho louco e devasso no deserto.
Vem como um tsunami,
Vem como um furacão
Vem como lava quente do vulcão.
Vem do temperamento sanguíneo,
Vem e finca lamina cortante na pele.
Vem como o luto,
Vem como morte sorrateira com uma foice dura e cruel.
Vem como um alucinógeno maldito, e se enraíza, dissemina podridão.

O grito do oprimido.
O grito de miséria!
O grito de desesperança.
O grito de desespero!
O grito de lástima!

Vem como o grito agonizante do homem contemporâneo!
Vem como um curto-circuito em pane com sua sobre carga elétrica!
Vem como cólera asiática, vem como bactéria se multiplicando no intestino.
Vem como diarréia intensa e sem fim!
Vem como flechas com pontas afiadas para cortar uma civilização.

O grito de dor!
O grito de desamor!
O grito de protesto!
O grito de libertação!
O grito de liberação!
O grito de ódio!


O grito de toneladas de força num soco fechado no saco de pancadas.
O grito de um suicida! O grito do injustiçado!

É preciso conhecer o mau para combater o mau.
O grito dos bárbaros, o grito dos índios, o grito dos gregos
O grito dos troianos, o grito dos romanos, o grito do exercito.

O copo de cristal caiu
O fúnebre riff da guitarra ecoa a quebra do talismã sagrado
Ele esta todo estilhaçado
Seus cacos pontiagudos e cortantes são armas letais.
Seus pés descalços deslizam no chão
Dançam um balé triste e descompassado.
O sangue desenha raízes desgrenhadas na pele amarela.

O grito vai, o grito ecoa
O grito perturba o grito não cessa.
O grito machuca
O grito ensurdece.
O grito paralisa, o tempo paralisa

O corpo estirado preso pela forca
O nó bem atado estrangula.
O ultimo grito agoniza sussurrando.
O grito não grita mais, pois não tem mais forças.
O grito se despede.
O grito murmura
O grito renuncia.
O grito vai, para não mais voltar.

O pequeno redemoinho de arame farpado
Ele esta só em meio ao mar de areia.
Ele esta perdido.
No deserto o grito ainda ecoa
A miragem continua, e o cacto sobrevive.

26.10.08